domingo, 12 de janeiro de 2014

Cap. 13 - Dear Angel




Dias atuais
“Ele me salvou, de todas as maneiras que uma pessoa pode ser salva.”
- Titanic
Minha reação foi:
1)    Ficar chocada.
2)    Ficar mais chocada.
3)    E então, ficar triste.
4)    Ficar com raiva.
5)    Não sentir nenhuma emoção.

Simples assim. Eu estava sem reação. Não sentia nada. Todas essas melhores de emoções passaram se em segundos e agora estava eu aqui, parada e sem expressão. 

Justin e eu não conversamos há muito tempo.  Nós não nos vemos há muito tempo. A distancia muda muita coisa, isso é um fato. Eu sei que se passou sei lá, 12 anos, mas eu ainda guardo raiva dele. Não sei se raiva é a palavra certa, acho que decepção. Ele me protegia para ninguém me magoar, mas quem acabou fazendo isso foi ele. E de uma forma cruel.

Papai espera uma resposta ansiosamente. Não era novidade a ninguém que ele não gosta do Bieber. Ele sempre o odiou, para falar a verdade. Sempre. Nunca entendi o ódio dele por Justin, o cara era uma pessoa bacana, tirando o que ele fez comigo. Não sei se ele ainda continua legal...
Anos atrás, quando eu ainda era melhor amiga de Justin e minha mãe estava viva, eu perguntei ao meu pai porque ele odiava. A resposta não foi legal.

- Papai, eu posso fazer uma pergunta?

- Claro, meu amor. –Disse meu pai, abraçando a minha mãe de lado. –

- Por que odeia o Drew?

- É complicado...

- Fala. –Choraminguei. -

- Ele ainda quebrará seu coração. Eu sei disso. E é por isso que eu o odeio.

Viu? A reposta foi um absurdo, na verdade. Eu tinha 10 anos, cara. Mas hoje em dia penso seriamente em fazer meu pai virar vidente. Ele ganharia uns trocadinhos, pelo menos. Voltando ao assunto inicial... Eu nem me lembro qual era.

Ah sim, Bieber estava de volta. Londres é gigante, mas minha sorte não é boa, então tenho grandes chances de encontra-lo. Ainda mais com esses pensamentos negativos que eu tenho, sabe?

- Sério? Legal. –Falei despreocupadamente. –

Eu era boa atriz, verdade. Pensei seriamente em fazer teste para as peças da Broadway. Ganharia o papel principal só de pisar no palco. Eu exalo brilho. Nasci assim.

- Está bem com isso?

- Eu estou de boa, verdade.  Estou na paz.

Eu queria gritar. Queria esfolar a cara do Justin em um asfalto.  Vontade era o que não faltava, aquele filho da puta. Ok, coitada da Pattie. Aquela empada! Justin era uma empada. Eu estava com raiva, tinha até perdido o apetite.

Ok, mentira. Eu ainda estava com fome. Comi mais pizza. Mas posso fazer o que? Eu estava morrendo de fome, oras.  Eu não sou gordinha e nem muito magra. Já Nora... Aquela menina é um palito gina. Juro. Da para ver o osso dela. Enfim, como Nora veio parar no assunto?

- Na paz, certo. –Falou meu pai me analisando. –

- Isso, sabe como é... Light na night , Tudo em cima na piscina, Bem no armazém, Relax no durex, Realiza na briza, Sussa na montanha russa...

- Filha - Ele me interrompeu. – Eu já entendi.

- Atá. –Dei de ombros. –

- Eu vou deitar um pouco, tudo bem? Pode deixar tudo ai, amanhã eu recolho.

Ele se levantou e beijou minha testa. Sorri e o vi se afastando para subir as escadas, mas ele parou subidamente e se virou para mim.

- Filha...

- Hm?

- Estou feliz que tenha voltado.

Sorri para ele, com uma vontade enorme de abraça-lo.

- Eu também estou feliz por estar de volta.

E então ele sorriu e subiu as escadas, sumindo da minha vista.

[...]

Eu como uma boa e santa filha, recolhi tudo da mesa, joguei fora a cara de pizza, que estava vazia por sinal, lavei os pratos e a coisa toda. Mas claro que quando fui lavar os pratos tive uma pequena surpresa. Desagradável, claro. Minha casa estava aos pedaços, acho que toda Londres toda sabia disso, e a cozinha da casa não era diferente, quando eu abri a torneira... Surpresa.  A agua foi toda em mim.  Lembrei-me de Derek na hora, certeza que ele que tinha jogado macumba em mim, enfim, pelo menos já tomei banho... 
Consertei a porcaria da torneira, mesmo já estando ensopada e lavei os pratos. Depois limpei a bagunça da cozinha e subi. A casa precisava urgentemente de uma reforma. Isso aqui tá parecendo um chiqueiro.
Subi no meu quarto e me joguei nele. Que cansaço, Deus. Senti alguma coisa vibrar, primeiramente achei que era um terremoto, já estava entrando em pânico, mas ai vi que era apenas meu celular.

Atendi, nem precisei olhar no visor para ver quem era.

- MEU DEUS, VOCÊ TÁ BEM? SOUBE QUE FICOU PRESA EM UMA ILHA!

- Fiquei, da para acreditar? –Bufei inconformada. – Avião fajuto! Quase morri, mas um gatinho me salvou...

- Foda-se os gatinhos, você quase morreu! –Gritou Nora no telefone. – Camille desmaiou quando viu a noticia na TV... Você quase nos matou. Fora que Daniel e Kate querem te matar por ter saído sem se despedir. Eles estão arrasados.

- Que Gays. –Revirei os olhos. – Eles que não estavam lá. A culpa não é minha, enfim...

- Sabia que tinha um famoso no seu avião?

-Sério? Qual era o nome dele?

- Eu não sei, peguei a noticia no fim. Só ouvi a repórter dizer algo como “... também estava no avião. Mas o astro teen assim como os outros passageiros ficou bem.” O cara ainda é iniciante.

- Não conheci ninguém famoso, mas eu conheci um cara que... Nossa.

- Conta tudo!

- Um Deus grego, juro! Ele é meio estranho, mas...

- Então esquece, (Sn). Cara estranho não da! Você se lembra do Dexter...

Dexter foi um ficante de Nora. O cara na balada era divino, um gatão... Mas fora de lá era um cientista maluco. Nora ficou traumatizada. Não a culpo, ele queria fios do cabelo dela para clona-la.

- Dexter era um psicopata, Derek é... Um Anjo.

- Gafanhoto, nenhum garoto é anjo. Eles estão mais para demônios. Aprenda com a mestra.

- Indireta para Scott?

- Scott é passado. A fila anda, você sabe. –Disse Nora. –

- Claro, claro... Mas sério Derek é um fofo. Ajudou-me quando passei mal, cuidou de mim quando desmaiei, conversou comigo quando estava entediado, ele é... Perfeito.

- Não gostei desse Derek, ele me lembra de alguém, pelo que você falou. –Disse fazendo birra. –
Ela estava falando de Justin.

- Para de ser escrota...

- Esquecendo o Derek, Brian me perguntou de você...

Brian e eu tínhamos ficado diversas vezes. Ele trabalha na revista, onde eu trabalhava. O cara é divino. Olhos verdes, cabelo preto, rosto perfeitamente moldado, sem um defeito se quer, sorriso de matar, musculoso, barriga tanquinho...

Só de pensar passo mal.

- o que ele disse? –Falei animada. –

- Perguntou onde você estava, porque tinha ido embora e eu expliquei tudo. Ele ficou arrasado, mas disse que vai nos ajudar a desmascarar a vadia da Molly.

- Aquela porca anoréxica... –Xinguei Molly. –

- Dei um soco na cara dela. Foi demais você perdeu...

- Droga, queria ter visto.

- Não seja por isso, gata. Alguém lá da revista filmou e colocou no youtube. Tem mais de mil acessos. Procura lá depois: descendo a porrada na vadiazinha. –

- Titulo apropriado.

- Demais. –Gargalhou. –

- Tenho que desligar, vou dormir um pouco...

- Vai lá. Depois quero saber mais desse tal de Derek...

- Derek Justin. –Corrigi rindo. –

- Que nome é esse?

- Boa pergunta.

- Espero que ele seja bonito, porque pelo nome...

- Ele é sim. Pena que nunca mais vou vê-lo.

- Tudo que é bom, dura pouco, Darling. Vou desligar, meus créditos estão acabando.

- Ok, manda um beijo para todos.

- Vou mandar, manda um beijo para o seu pai... Cuida-se, pirralha.

- Eu tenho a mesma idade que...

Mas ela já tinha desligado. Ri e guardei o telefone. Vi o vídeo pelo Youtube e ri como nunca, a cara de desespero da Molly foi a melhor parte. Nora é demais. E então, adormeci igual a uma pedra.

O dia seguinte foi legal. Eu e meu pai acordamos cedo, tomamos café da manhã. Na verdade, comemos uma bolacha, pois a geladeira parecia o polo norte, só tinha gelo. Depois nós saímos e fizemos compras no supermercado, comprei uma cortina nova, aquela estava me dando arrepios... Comprei também um sofá novo que pode pagar em 12 vezes! Tem coisa melhor?

Voltamos para casa, papai ficou descansando no quarto enquanto eu fazia uma faxina geral na casa. Estava me sentindo a Cinderela. Juro.

- Eu não aguento mais limpar.  –Falei largando tudo. –

Só quando olhei no relógio vi que se passaram cinco minutos. É, eu me canso fácil. E sim, eu falo sozinha. Ás vezes.

Tédio era o que eu sentia. Pensei em ligar para Camille, mas ela provavelmente estava trabalhando, Nora também...

Kate por mais que não pareça, também trabalha. Então só me resta Daniel.
Peguei meu celular e resolvi ligar para ele. Mas deu caixa postal. Aquele puto deve ter esquecido de carregar o celular, que raiva dele. Resolvi sair. Isso, tomar um ar fresco. É isso mesmo que eu vou fazer! Peguei meu casaco, meu gorrinho e sai.

Estava frio pra chuchu! Caraca me senti no polo norte. Agora só faltava o papai Noel. E suas renas, claro. Fiquei tão triste quando descobri que o Papai Noel não existia, minha vida foi uma mentira. Fiquei arrasada.
Eu estava indo para onde, mesmo? Caraca, eu sou uma sem noção, mesmo. Quer saber, vou tomar um chocolate quente. É, é isso que eu vou fazer. Chocolate quente, quentinho. Para aquecer meu coração congelado. Nossa, filosofei. Essa vai para o facebook.

- Oi, um chocolate quente, por favor. –Falei para a moça do balcão. –

A mulher continuou teclando algo no computador, me ignorando. Quem essa vadia pensa que é? Ajeitei meu gorrinho de orelhas de panda na cabeça e limpei a garganta. E nada.

- Oi mocinha, então...

E nada.

- Oi, terra chamando... Sei lá seu nome. Quer prestar atenção em mim? Por que assim, eu enfrentei uma nevasca para vir até aqui, sabe... Tá, não está nevando, mas parecia que eu estava em um frízer. Tem noção? Eu quase morri. Fora que eu fiquei um tempo sem rumo... Ai, eu estou tão cansada. Eu moro em Nova York, a cidade da luz. Ou é Paris? Enfim... E lá é tudo, e eu quero voltar para lá, mas fiquei desempregada... Fora que eu fui roubada, por um menino mais novo que eu, acredita? Onde esse mundo vai parar minha senhora, eu realmente não sei... Mas, qual era o assunto mesmo? Ah, sim! Um chocolate quente, por favor.

A mulher pareceu notar minha presença e olhou para mim assustada.

- Me desculpa, musica do ultimo volume. –Disse tirando os fones. – O que estava dizendo?

Não pude acreditar! Quantas palavras desperdiçadas, quanta saliva jogada fora... Nem para me ajudar nos meus problemas essa mulher serve.

- Nada não... Só um chocolate quente, por favor. Fica com o troco.

Ela sorriu e agradeceu e eu peguei meu chocolate quente, que estava uma delicia. A loja estava cheia, então eu sentei-me à mesa que estava uma menina de 12 anos.

Coloquei meu iphone em cima da mesa e ajeitei de novo meu gorro de panda, que estava caindo, a menina a minha frente me olhava como se eu fosse à coisa mais esquisita do mundo. RECALCADA!

- Gorro bonito, mas não acha que está um pouco velha para usar esse tipo de coisa?

- Não, não acho... Eu tenho estilo, eu tenho swag. Sabe como é...

- Hm, sei. Bonito celular.

Sorri convencida. Eu sei. Paguei caro nessa belezinha, aqui.

- Sim, meu iphone é lindo.

- Porque você não fala apenas celular? Por que falar iphone? –Questionou. –

- Minha filha, eu paguei dois mil nisso aqui, você acha que eu vou falar meu celular? Tenha dó, vou falar iphone até morrer. Não paguei esse preço todo para falar meu celular.

- Hm, ok...

- Olha, quer saber, estou saindo. Beijos para quem fica.

Joguei meu cabelo para trás, e com meu gorrinho, meu chocolate quente e minha dignidade sai de lá. Eu estava tão alone. Não tinha nenhum amigo aqui. Minhas amigas estavam em outro País. Bufei entediada, ainda bebendo meu chocolate quente. A vida é dura.

E então, tive uma ideia repentina e depressiva. Eu iria a um lugar especial.
Um lugar que era apenas uma lembrança, agora.
Eu sabia aquele caminho de olhos fechados.

[...]

O parque estava vazio, pelo simples fato de estar frio pra cacete. Tinha poucas pessoas, e essas poucas eram casais andando abraçados. Senti-me mais forever alone ainda. E com uma grande surpresa, eu vi que a arvore continuava lá.

As nossas iniciais com um coração em volta ainda estavam gravadas na arvore, fazendo meus olhos se encherem de lagrimas. Eu sou tão patética.

Mas só ai eu percebi algo estranho, muito estranho, para falar a verdade. De baixo da arvore tinha uma flor branca com detalhes roxos, igual a que Justin havia me dado anos atrás. Justin esteve aqui. Agora pouco. Meu coração parou.
E então de repente eu soube.
Soube que ele ainda se lembrava de mim.


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Esse cap está ZzZzZ Mas está ai, espero que gostem <3
A versão interativa está com probleminhas, por isso não coloquei ai. 
Bjs <3
COMENTEM ;)

4 comentários:

  1. Oh céus continuaaa por favor continua, que perfeição cara, primeira?? Ou seja não importa continua que ta perfeito

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    1. Continuei, amor, espero que tenha gostado.
      Hahaha, e sim, você foi a primeira a comentar! <3
      Continuei, anjo. E obrigada de novo, mesmo.
      Bjs

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  2. Que lindo foi o final *-*
    Achei tão fofo!!!! E meio engraçado o começo! Que tipo de pessoa começa a falar da vida dela para uma mulher desconhecida? Tinha que ser "eu"
    Achei muito engraçado o parte do Starbucks!!! "Eu" falando sobre o meu iPhone!!!! Foi engraçado e fofo esse capítulo >.<

    Então princesa continua o mais rápido as duas Ib's, mas você podia postar mais de You're my dream...
    -Hayley

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    1. Jura? awn, fico feliz em saber disso!
      A (sn) é meio sem noção, mesmo hahaha
      Obg Hayley, você é uma linda que sempre comenta e sempre lê todos os capítulos, como não te amar?
      Vou postar sim, logo, logo hahaha
      Obrigada de novo, anjinha, bjs <333

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obrigadaaa por comenta
espero que tenham gostado bjbj